Royalties para todos; danos para uns poucos
O Estado do Rio assiste um grande vazamento de óleo nas suas costas, enquanto o Congresso encaminha a divisão das receitas dos ‘royalties’ pelo interior do País, e entre lugares que não estão sob os riscos de grandes acidentes.
A empresa americana Chevron, que explora o poço no Campos do Frade na Bacia de Campos, estima vazamento de 404 a 650 barris. Há fontes que questionam esses dados, estimando bem maior o desastre. Segundo a Chevron, atribui-se a falhas geológicas terem causado o vazamento.
‘Nós não sabemos ainda a causa do vazamento, mas temos certeza que não está partindo de um poço de produção’, comentou uma porta-voz da companhia no inicio da semana. A Chevron, que detém a marca Texaco no Brasil, disse que tomou ciência de uma mancha de óleo de tamanho não determinado entre o campo Frade, a 120 quilômetros da costa do Espírito Santo, e o campo Roncador, operado pela Petrobras.
Os dois campos ficam na Bacia de Campos, aduzindo que ‘isso não é a mesma coisa que Macondo’, disse a porta-voz, se referindo ao enorme vazamento do poço localizado no Golfo do México, considerado o maior acidente no setor de exploração do petróleo, no ano passado’ completou o porta-voz. Segundo a empresa, vazamentos de petróleo no leito do oceano são ‘normais’ na Bacia de Campos.
A Chevron é a operadora do campo, que contém uma reserva recuperável estimada em 200 milhões a 300 milhões de barris de óleo equivalente. As informações são da Dow Jones, onde as ações da companhia são negociadas.
A grande Imprensa tem dado pouco destaque para o vazamento na Bacia de Campos, mesmo que a mancha admitida pela exploradora, segundo nota oficial, meça 163 km², e represente quase metade da área da Baía de Guanabara. Segundo fontes, esse vazamento pode ser 10 (dez) vezes maior do que divulgado.
Especialista: derrame de óleo pode ser 10 vezes maior
Supondo que o vazamento começou ao meio-dia do dia 8 último (24 horas antes de ter sido notificado), estima-se uma taxa de vazamento de pelo menos 157 mil galões (3.738 barris) por dia. Isso é mais de 10 vezes maior do que a estimativa da Chevron de 330 barris por dia.
A ANP divulgou um comunicado em seu site, dizendo que numa reunião de emergência realizada domingo (13) aprovou-se o plano de emergência apresentado pela Chevron, para deter o vazamento e que a diretora da ANP Magda Chambriard esteve na Sala de Emergência da Chevron acompanhando os trabalhos para conter o vazamento.
O deputado Brizola Neto vai apresentar um requerimento, pedindo a presença dos diretores da ANP e da Chevron, para explicar o vazamento e apresentar as informações que a imprensa não está publicando.
Poço petróleo começa a ser lacrado na Bacia de Campos
A empresa petroleira Chevron Brasil Upstream começou no dia 16 a introduzir lama pesada no poço por onde, há uma semana, vaza petróleo no Campo de Frade, na Bacia de Campos, Rio de Janeiro. A empresa, que mantém o controle da produção do petróleo no local, informou por meio de nota que o próximo passo será cimentar o poço para inutilizá-lo de forma definitiva. A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) aprovou, na segunda-feira (14), o plano de abandono do poço apresentado pela Chevron.
Sobre as causas do vazamento, a principal hipótese da petroleira é que uma fratura provocada por procedimentos de estabilização do poço tenha liberado o óleo, que vazou por uma falha geológica. A Chevron é inteiramente responsável pela contenção do vazamento. Dezoito navios estão participando dos trabalhos de contenção do vazamento, oito da própria Chevron e dez cedidos pelas empresas Petrobras, Statoil, BP, Repsol e Shell, que também operam na Bacia de Campos.
Para a coordenadora da Campanha de Clima e Energia da organização não governamental (ONG) Greenpeace, Leandra Gonçalves, o vazamento, que já se espalhou por mais de 160 quilômetros quadrados (aproximadamente a área de 25 mil campos de futebol), serve de alerta para que o governo brasileiro repense as licitações para exploração de petróleo. Ela defendeu que o País crie um programa de contenção de vazamentos que garantam a exploração segura de petróleo.
- O Campo de Frade é um dos maiores campos em produção de petróleo no Brasil desde 2009 e, se o vazamento se deu por uma falha geológica, essa falha deveria ter sido prevista no estudo de impacto. O governo está investindo muito dinheiro na exploração offshore [em alto-mar] de petróleo com pouco ou quase nenhum plano de segurança. Essas operações são de alto risco - disse Gonçalves, que ainda lembrou que o Ministério do Meio Ambiente criou um mecanismo, para acelerar a emissão de licenças ambientais justamente para o setor de petróleo e gás.
- Estudos mais detalhados para garantir uma maior segurança para essas operações são inexistentes, como vimos no Golfo do México e, agora, na Bacia de Campos. Amanhã pode ser nas nossas praias - advertiu a ambientalista.
Para o presidente da Colônia dos Pescadores - Z 23, Amarildo Chita Sá Silva, existe outro dano, silencioso no ambiente da Imprensa, causado pelos sucessivos estudos sísmicos, feitos pelas empresas exploradoras nas costas do Estado, que impacta diretamente na atividade da pesca.
- Essa zona de interferência desses estudos sísmicos é totalmente devastada ambientalmente, além de criarem uma área reservada para as operações das exploradoras, o que representa também uma zona de exclusão das atividades pesqueiras - afirma Chita.