O Perú Molhado é o pasquim de Búzios
Marie-Annick Mercier, Sérgio Cabral (pai e filho), Francisco Dornelles, Leleco Barbosa, Regis Fichtner, Ricardo Amaral e esposa, Carlos Minc, assessoras de imprensa, jornais O Globo, CBN, O Dia, atores mais ou menos conhecidos, empresários e mais uma penca de pessoas muito importantes. O evento de lançamento do livro "Bicicleta: a cara do Rio", foi concorrido. "O cara ta com prestígio", é o que se dizia nos bastidores. O cara em questão é Julio Lopes. E a prova do prestígio é que até o Perú Molhado, o maior jornal do mundo, estava presente.
O coquetel de lançamento obedeceu às regras de sempre nesse tipo de evento. As pessoas vão chegando e se dividem em clãs, geralmente por ordem de importância. Os jornalistas e assessores de imprensa são a casta mais baixa (espécie de dalits) e ficam reunidos num canto trabalhando enquanto os outros se divertem. Todos apreensivos para cumprir a pauta ordenada pelos seus chefes. Menos o Perú, o único jornal do mundo que o editor diz para o seu repórter, "vai lá e faz o que você quiser".
Depois vão chegando os artistas, que ficam trocando figurinhas. Conforme o tempo vai passando, as castas vão crescendo de importância. No começo é tudo meio travado, mas a medida que os garçons vão servindo uísque e espumante, a alta sociedade, políticos e empresários vão se descontraindo e decidindo nosso futuro nos próximos anos.
Existem também os fotógrafos. Inclusive paparazzos e trabalhadores que estão ali para ganhar seu pão de todo dia. É o caso de Jadson Martins, que com sua antiga máquina analógica, de mais de 20 anos, fazia imagens dos famosos. "Criei filhos e netos tirando fotos. Tô nessa há 46 anos".
Na hora que o governador Sérgio Cabral chega, toda a imprensa se aglomera para tentar fazer uma boa foto e arrancar uma declaração. A pauta do dia era o fato do Ministério Público do Rio está investigando a Secretaria de Saúde por possíveis compras superfaturadas. Gabeira havia dito que por menos Joaquim Roriz foi afastado. Cabral, assim que pisou no Clube dos Marimbás, ironizou a declaração, lembrando que foi durante a prefeitura de César Maia (agora candidato a senador) que o Governo Federal interveio na saúde do Rio.
- É um absurdo ele falar de saúde quando tem o apoio de quem levou a saúde do Rio ao caos.
Pensei em perguntar se o governador tinha vindo de bicicleta, afinal era o lançamento de um livro sobre as magrelas. O Gabeira com certeza viria... Um coleguinha da imprensa, que chegou atrasado, comentava depois que essa eleição está muito chata. A mídia não ataca o Cabral e ele parece que está fazendo mais campanha para seus dois senadores, Lindberg e Picciani, do que para ele mesmo.
Nada sairia do marasmo, se não fosse uma lição do pai do governador, o jornalista Sérgio Cabral. Quando ele estava conversando com seu amigo Carlos Minc, o Perú Molhado abordou a dupla. Ambos lamentaram a morte do Aníbal e disseram que adoram o semanário. Minc ainda mandou um abraço pro Marcelo, o Roberto Marinho da Região dos Lagos.
- O Perú Molhado é o pasquim de Búzios. Não importa a pergunta que você vai fazer. E sim a resposta que você recebe. Uma vez, o Orestes Barbosa (compositor de "Chão de Estrelas"), que também era jornalista, foi entrevistar o general Góis Monteiro, que tinha retornado ao Ministério do Exército nos últimos dias de Getúlio Vargas. Barbosa perguntou se o presidente iria cair e não conseguiu resposta. A manchete estava ali: "Góis Monteiro se cala sobre derrubada de Getúlio" – ensinou Cabral, o pai.
in Perú Molhado