O Artesanato de BúziosNos últimos anos, e por causa dos navios transatlânticos, surgiu na Orla Bardot uma feirinha de artesanato. São várias barraquinhas aonde os turistas encontram de tudo: de chapéus estilizados para se proteger do sol, passando por saídas de praia a passarinhos mecânicos importados da China. Artesanato que é bom, cada dia há menos. Culpa de quem fiscaliza. Na verdade, o que era uma feirinha de arte está aos poucos se transformando num camelódromo. Uma pena, pois a Orla Bardot é uma dos pontos mais belos da cidade a não merecia se transformar num camelódromo.
Mas no meio da bagunça, alguns bons exemplos ainda sobrevive. Como a barraca de artesanato da Associação Fazer do bairro de Cem Braças. A Associação Fazer começou de maneira simples. Um pequeno grupo de mulheres se juntaram e passaram a ensinar a outras mulheres, técnicas de costura e de artesanato. Hoje, a Associação Fazer é uma das associações mais organizadas da cidade.
Os produtos da Associação Fazer são vendidos na Orla Bardot e no Hotel La Plage, do casal Octávio Martins e Beatriz que fica na Praia de João Fernandes. Beatriz aliás, sempre fez questão de apoiar os movimentos sociais. É uma cidadã engajada por natureza. A Fazer foi convidada a expor seus produtos no Hotel Breezes, mas seu ponto forte continua sendo a barraca da Orla Bardot.
- Ainda temos dificuldades em distribuir nosso material no comércio da cidade. Infelizmente alguns comerciantes querem ficar com nossos produtos em consignação, mas fica difícil. É complicado pois não podemos ficar com o produto parado, sem certeza de venda. Mas foi legal a experiência. Estamos seguindo a risca o que prometemos ao governo municipal. Só vendemos artesanato de verdade.Gostaríamos muito que essa feira fosse da fato caracterizada como uma feira de artesanato pois a Orla Bardot é um corredor turístico onde o mundo passa por ele. Merecemos mais estrutura. Gostaríamos de ter um quiosque de Blindex, iguais aos que existem em Copacabana, declarou Luciana, Costureira de profissão, moradora da Cem Braças e presidente da Associação Fazer.
O maior desejo das associadas é ter uma loja própria. Por enquanto não deu ainda.Todos os produtos oferecidos na Barraca da Associação Fazer são produzidas pelas associadas. Elas compram os tecidos para fazer as camisetas e as bolsas. Uma corta, outra faz a gola, outra customiza. A Associação Fazer tem 7 anos. A geração de renda é seu carro chefe. Nesses período, ofereceu diversos cursos- principalmente para as crianças e seus os produtos são de excelentes qualidade. Já foram vendidos em feiras em Minas Gerais e São Paulo. No momento a direção da entidade busca outros pontos de vendas para não sofrer tanto com a sazonalidade.
As associadas trabalham cada uma à sua maneira. Umas usam maquinas de costura industriais, outras preferem as maquinas caseiras. E todas trabalham em casa. Isso para que elas não precisem largar o filhos e a família para produzir.
Não temos creches no município. Por isso escolhemos esse tipo de produção doméstica. Nossa vice-presidente Vera Lúcia tem a família toda engajada na produção da Associação. Até o marido trabalha fazendo cabecinhas para as bonecas. Nosso objetivo é gerar renda dentro da casa, no seio da família. Gostaríamos de fazer mais coisa, por exemplo, customização de lençóis para hotel e pousadas, mas a alta temporada consome todo nosso tempo. Temos excelentes produtos pois nossas associadas são pessoas capacitadas, profissionais de verdade, continuou Luciana.
Camisetas personalizadas, bolsas e bonecas são os principais produtos da Associação Fazer. Os maiores clientes são os turistas sul-americanos- principalmente argentinos e chilenos. Para facilitar as vendas, os preços tem tradução macarrônica para o espanhol e para o inglês. Todas sonham fazer cursos de inglês e espanhol para aumentar as vendas. Mas o brasileiros também compram bastante.Principalmente os da Classe C. Os produtos custam no máximo R$ 30 reais. As mulheres, que de bobas não têm nada, adaptaram seus preço aos clientes dos navios. Como sabem que os navios vão passar por outras cidades e que os turistas gostam de levar lembranças de todas, de comprar souvenir, resolveram criar uma "cesta de produtos" que vai de 3 reais (um chaveiro) à uma bolsa de 30 reais.
- O verão é muito bom para a gente. Quando descem duas mil pessoas e gente adora.Espero que o governo não proíba os navios.Acho que não vai proibir. Eles não vão querer perder o dinheiro que os turistas dos navios deixam na cidade. Os turistas deixam bastante grande na cidade.na verdade estamos perdendo dinheiro por falta de estrutura. Um dos maiores problemas é a falta de banheiro. O turista pode usar os banheiros do Porto Veleiro e depois só o da Praça Santos Dumont, finalizou Luciana.
A Associação Fazer está participando junto com a Prefeitura da Búzios e o Banco do Brasil do projeto de Desenvolvimento Regional Sustentável- DRS. A Associação emite uma carta atestando que o associado é artesão e o mesmo têm acesso a uma linha de crédito de 5 mil reais a 1% de juros ao mês, 48 meses para pagar e carência de 60 dias. Um tremendo incentivo para os artesãos. Quarenta associados da Fazer já foram beneficiados por esse projeto.
A eterna musa continua vendendo
Outra artista que também se destaca a Orla Bardot é Márcia Helena Carvalho, moradora de Geribá que faz mini-réplicas da estátua da Brigitte Bardot. Desde criança Márcia gostava de fazer arte com as mãos, de mexer com argila. Natural da cidade de Resende, Márcia é uma criadora por natureza. Gosta de fazer outros produtos, mas por conta da demanda das mini-estátuas, está sem tempo para nada. A idéia de fazer a pequenas Brigitte foi de um amigo buziano. Antes, Márcia vendia outros produtos mas seu amigo à convenceu a fazer algo ligado a história de Búzios. Diferente da estátua original da Brigitte que mais parece o Mick Jagger, os pequenos exemplares da Márcia são a cara da atriz francesa.
in Perú Molhado